No ano que completa 20 anos de existência, projeto da UFSC é reconhecido como o melhor laboratório de experimentação remota do mundo em 2017

 

Por Priscila Gonsales

 

JuarezRexImagine um laboratório de experimentação remota, focado em “educação maker” e robótica, que trabalha só com código aberto e recursos educacionais abertos. Que fica numa universidade pública e atua diretamente com a escola pública numa relação respeitosa e colaborativa. Usado por outros 112 países. E premiado internacionalmente – incluindo o de melhor do mundo agora em 2017 pelo Global On-line Laboratory Consortium. E tem muito mais prêmios no portfólio deles, a maioria internacionais, veja aqui. 

Sabe onde fica? Aqui mesmo no Brasil, em Ararangá-SC, na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina. É o RExLab UFSC, que está completando 20 anos! 
Conheci em 2012 quando organizei o Educaparty, mas só agora finalmente consegui visitar!

EventoRexFaz anos que o professor Juarez Bento, coordenador do RExLab, tenta me levar para um evento de lá e me apresentar pessoalmente os equipamentos físicos do laboratório que podem ser utilizados pela internet por qualquer lugar do mundo. Finalmente consegui este ano e o sentimento que tive já era esperado: por que demorei tanto? Com muita alegria, fiz uma palestra no III WITE – Workshop Integrador de Tecnologias na Educação, para um público formado por educadores mas, principalmente, por alunos da graduação e pós-graduação em tecnologia. Aproveitei para falar do livro-guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e REA,  aproveitei para ressaltar o pioneirismo do RExlab em utilizar software livre, código aberto e materiais licenciados abertamente mas, principalmente, elogiei o compromisso de toda a equipe em manter seus ideais ao longo de todos esses anos.

 

Mas, afinal, o que é experimentação remota? 

A Experimentação Remota é uma área de pesquisa que visa ampliar a capacidade humana para além de seus limites, utilizando os recursos da Internet e de outros meios tecnológicos capazes de prover acesso remoto, possibilitando o compartilhamento de recursos de um modo geral. Em outras palavras, é possível operar-se um equipamento remotamente, ou seja, de um local distante do mesmo.

A partir deste conceito surgiu em 1997 o RExLab, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que conta atualmente com uma rede de 12 Universidades (RexNet) em 5 diferentes países. Um de seus objetivos é atender a necessidade de apropriação social da ciência e da tecnologia, popularizando conhecimentos científicos e tecnológicos, estimulando os jovens a inserirem-se nas carreiras científico-tecnológicas e buscar iniciativas que integrem a educação científica ao processo educacional promovendo a melhoria devido à atualização/modernização do ensino em todos os seus níveis, enfatizando ações e atividades que valorizem e estimulem a criatividade, a experimentação e a interdisciplinaridade.

Vale ver o vídeo que eles produziram sobre o projeto aqui.

O que mais me encantou ao visitar o RExLab foi sentir tão de perto o entusiasmo de todos aqueles bolsistas, graduandos, mestrandos, doutorandos que, mesmo com tantos percalços, como financiamento limitado, pouco reconhecimento interno da universidade, estão ali diariamente e prontos para relatar os diversos projetos que fazem com escolas públicas da região.

Sim, o RExLab é uma realidade quando pensamos no sonho de aproximar universidade pública de escolas públicas, sempre com respeito e reconhecimento mútuos dos saberes que os dois lados têm para ensinar e aprender.  Dentre os projetos que o laboratório desenvolve está o InTecEdu, que leva formação presencial e on-line (utilizando Moodle) para educadores e estudantes sobre o uso dos equipamentos remotos para preparar e planejar aulas com tecnologia digital. Os conteúdos e materiais são todos licenciados abertamente e podem ser acessados aqui.

Outro projeto interessante é o GT-MRE, realizado com apoio da RNP e CAPES,  que desenvolve e implanta uma plataforma que integre ambiente virtual de ensino e de aprendizagem através da disponibilização de conteúdos didáticos abertos online, acessados por dispositivos móveis ou convencionais, e complementados pela interação com experimentos remotos. Os recursos de hardware e software utilizados no acesso aos experimentos são desenvolvidos no laboratório utilizando tecnologias de baixo custo e abertas.

Os recursos de hardware utilizados partem da placa RaspberryPi que, junto a uma placa de aquisição e controle desenvolvida pelo laboratório, controla variáveis dos experimentos e retorna valores lidos pelos sensores. O público beneficiário do projeto são alunos e professores da Educação Básica, Ensino Técnico e Ensino Superior no Brasil e também de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que efetuarem seu cadastro e obtiverem habilitação para acesso ao sítio do RExLab onde todo o material produzido estará disponível para uso. O mesmo se aplica a países com outros idiomas, pois, a partir de parcerias pretende-se adequar o material didático para outras línguas.

Abaixo um vídeo que eles fizeram comigo lá. E recomendo, ainda, ver o vídeo produzido pela Fundação Telefônica sobre o RExlab, narrado pela Viviane Mosé.

RExlab precisa ser mais conhecido no Brasil. Precisamos ter muito orgulho de projetos como esse e apoiá-lo da forma que pudermos, como por exemplo, na divulgação e n contratação de seus serviços, no caso de escolas, secretarias de educação e instituições de ensino. Todo o conhecimento lá produzido é livre e aberto, mas tem um trabalho importante que suporta esse princípio e esse compromisso. Valorizá-lo é fundamental!

Priscila Gonsales
Co-founder and director na Instituto Educadigital
Priscila Gonsales
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