Design Thinking para Educadores chega à fronteira do Brasil com o Uruguai 

 

Por Priscila Gonsales

 

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Oficina de DT com educadores do Chuí

Em plena véspera de carnaval, quando boa parte do país estava definindo seu roteiro de folia entre Rio, São Paulo, Salvador, Recife e outras cidades famosas pela festa popular, ela estava preparando sua mala cheia de fantasias, brinquedos e adereços. Mas o destino, porém, era outro bem diferente. Um lugar já bem conhecido por ela há muitos anos: Chuí, município no extremo sul do Brasil, com uma população de quase 6 mil habitantes. A bagagem organizada era nada mais nada menos que seu kit de prototipagem para facilitar a oficina de Design Thinking para Educadores que ela faria, pela primeira vez, em parceria comigo, na única escola municipal de ensino fundamental de lá, a EMEF General Artigas.

Foi com um misto de entusiasmo e preocupação que recebi o convite dela, a educadora Sandra Méndez, ex-aluna do curso de Facilitadores em Design Thinking para Educadores, agora também nossa facilitadora associada.  Entusiasmo é uma sensação recorrente em mim quando o assunto é viagem, vou à Eslovênia ou ao Chuí com a mesma empolgação. Adoro o elemento desconhecido das viagens e me encanta em demasia conhecer pessoas que vivem realidades distintas das que estou acostumada. Já o sentimento de preocupação era com o tempo de viagem em uma semana atribulada, considerando a organização toda que eu teria que fazer na agenda para conseguir chegar a um destino tão afastado, cujo caminho envolve vôo, conexão e horas de estrada.

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Sandra Mendéz e Priscila Gonsales

Sandra precisava de uma parceira para compor com ela essa primeira oficina na escola, que seria parte da sua pesquisa de doutorado. Ela é natural da fronteira, tem nacionalidade brasileira e uruguaia, e é professora de espanhol e de inglês. Anos atrás lecionou inglês na mesma General Artigas e, desde que conheceu a abordagem do Design Thinking, sonha em articular a comunidade da escola para tornar a aprendizagem de idiomas estrangeiros mais ativa e significativa para os estudantes da região.

Chuí é uma cidade pequena e pitoresca. Tem cerca de 6 mil habitantes e só é famosa pela expressão popular “do Oiapoque ao Chuí”, que evidencia dois extremos territoriais do Brasil. Tirando as placas sobre o Brasil começar/terminar ali, são quase nulas as atrações turísticas propriamente da cidade mas, por estar na fronteira, existe ali o que arrisco chamar de “ecossistema” próprio. Está localizada a 15 minutos de uma praia linda, seja no lado brasileiro ou no uruguaio. Tem o arroio Chuí, o rio que divide os dois países, numa paisagem que rende fotos lindas. E fica a alguns passos da sua cidade xará Chuy, essa sim conhecida pelas lojas de importados com redução ou isenção de impostos (free shop).

Praticamente tudo na cidade acontece em uma única avenida que aliás, talvez por algum acordo de boa vizinhança, se chama Uruguai no lado brasileiro e Brasil no lado uruguaio. Logo me lembrei que em São Paulo, a estação do metrô Paulista fica na rua da Consolação e a estação Consolação fica na avenida Paulista –  só me dei conta disso quando um amigo de outra cidade comentou!

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Quadro de sonhos e pesadelos para uma educação de qualidade

Pois bem, diante desse ecossistema é que Sandra tem o desafio de mobilizar os educadores da escola a repensar currículo e práticas pedagógicas, considerando os desafios que não são poucos, mas também as potencialidades. Por que o ensino do idioma inglês deve ser fortalecido em uma região dominada pelo espanhol e pelo português? Pois é, por ali você pode tanto escolher falar português como espanhol que sempre alguém vai entender e também responder no idioma que quiser, claro. O mesmo acontece com o dinheiro, exceto no free shop, você pode usar as duas moedas dos dois lados o tempo todo, pode variar, misturar, fica sempre ao seu critério ou da pessoa com quem você está negociando a mercadoria ou o produto.

Nossa oficina de DT foi marcada para a quinta-feira antes do carnaval, durante a semana pedagógica da escola. Tanto professores como funcionários foram convidados a conhecer a abordagem do DT para compreender como ela pode ser um instrumento tão poderoso para ajudar a buscar soluções para problemas cotidianos da escola, uma vez que o DT incentiva a colaboração e a empatia mútua. Estávamos esperando umas 10 pessoas, já que sempre há uma adesão, não uma convocação. Mas para nossa grata surpresa, vieram quase 30, tivemos que improvisar uma nova mesa e compor um grupo a mais ali na hora. Entre os educadores participantes, estava a merendeira da escola, uma mãe de aluno, uma vereadora da cidade, gestores da secretaria municipal de educação e um representante do comércio local.

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Foto clássica com o grupo todo

Após conhecerem um pouco sobre a origem e os conceitos fundamentais do DT, o grupo recebeu o desafio de refletir sobre como o ensino da língua inglesa poderia se conectar com as necessidades do território, ampliar as possibilidades de uso significativo do idioma, considerando os aspectos positivos de diminuição de tempos e espaços físicos que a cultura digital pode proporcionar. Além de incentivar o grupo a prototipar criações variadas, a intencionalidade da formação foi mostrar como a colaboração é uma estratégia poderosa para o compartilhamento de ideias que tendem a ficar ainda mais viáveis quando o grupo trabalha com um propósito comum de tornar a escola um espaço de mais convivência e mais aprendizagem. Quer dizer, nada que não seja desejável em qualquer instituição educativa, por isso, não canso de dizer que o Chuí é logo ali!

 

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